sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Resumo: Marcuschi, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. Cap. 2 - "Gêneros textuais no ensino da língua"

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2009. Cap. 2 – “Gêneros textuais no ensino de Língua”.

Neste capítulo, Marcuschi inicia explicando que os estudos sobre gêneros não são novos, mas é em nossa época atual que se encontra o maior número de pesquisadores investigando essa área.

O estudo sobre os gêneros começou com Platão e Aristóteles, mas restringia-se principalmente à Literatura. Hoje eles estendem-se por todo tipo de texto, comunicação e seus gêneros.

Aristóteles, quando formulou sua teoria, separou os gêneros de discursos em apenas três tipos: judiciário, deliberativo e epidítico. Hoje, por “gêneros” entendemos toda forma de discurso da e nas práticas sociais, sendo que eles podem ser escritos ou orais.

É importante notar que os gêneros são usados no cotidiano, cada qual com sua função e forma, no entanto, é o próprio cotidiano que os modificam ou criam, ou seja, eles são dinâmicos, embora relativamente estáveis.

Hoje o campo que estuda essa área é enorme, são vários os autores e perspectivas, dentre elas estão: a perspectiva sócio-histórica e dialógica; comunicativa; sistêmico-funcional; sóciorretórica, interacionista e sóciodiscursiva; de análise crítica; sociorretórica/sócio-histórica e cultural.

Toda essa importância é dada pelo motivo de que é impossível se comunicar sem ser por um texto e gênero, pois para cada ação ou situação social, é necessário se comunicar, e é através deles que o fazemos. Sendo assim, os gêneros são inúmeros (um para cada contexto), mas eles são compostos por poucos tipos, de características singulares (narração, argumentação, exposição, descrição e injunção).

Essa relação de tipologia e genericidade são contínuas e complexas, pois um complementa o outro, e devemos nos lembrar de que em muitos gêneros discursivo-textuais pode haver mais de uma tipologia, no entanto, um deles predominará. E, também, que no gênero, mais importante é o seu conteúdo, propósito e função do que a forma.

Além da mistura de tipologias, acontece também a junção de gêneros, a que chamamos “intergenericidade”. Geralmente nomeamos os gêneros pelas suas funções, conteúdos, estruturas, contextos, etc., mas às vezes acontece de um texto ter a forma de um e a função de outro: dois em um lugar só.

Além disso, devemos nos atentar de que, em um mesmo contexto, em sociedades diferentes, o mesmo gênero não ocorrerá. Cada sociedade utiliza-se diferentemente de seus gêneros em certa frequência e situacionalidade, o que só constata que o desenvolvimento língua depende de sua comunidade. A linguagem vai muito além da língua, pois é hábito, cultura, símbolo e vida.

Dependendo do local onde o texto estiver inserido, ele pode mudar de gênero também. São os chamados “suportes de gêneros textuais”, que podem ser locais ou formatos. Por exemplo, uma carta fora do envelope, mas enviada pelo computador, deixa de ser carta e torna-se e-mail. Ou seja, o suporte não é neutro, ele modifica o gênero. Em contraposição, isso não ocorre em todos os suportes, pois um livro didático que possui poemas em seu interior, não faz com que o poema deixe de ser poema e vire outro gênero. Neste caso, o suporte apenas “carrega” o texto de um local para o outro.

Dentre os suportes, existem os convencionais e os incidentais. Os convencionais são os criados com um fim específico de portar ou fixar um texto, por exemplo: livros, jornais, revistas, outdoor, etc. E os incidentais são os que até servem para “carregar” textos, mas somente em casos especiais, não foram criados exatamente para essa função. São exemplos as roupas, para-choques de caminhões, calçadas, muros, etc.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo o texto. Eu gostaria de saber se você poderia me dar algumas dicas de como trabalhar ou me dar algumas referências géneros narrativos para trabalhar com professores do ensino básico. tipo um curso de formação. obrigada. Karla

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    1. Obrigado, Karla. Infelizmente, não posso (no sentido de conseguir) te dar dicas sobre esse assunto. Sou um mero estudante de Letras (ainda no 5° semestre).

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