segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Análise do clipe e letra da música "I Want Out",da banda Helloween.

"I want out" é uma música da banda Helloween, lançada no álbum The Keepers Of The Seven Keys Part II, de 1988. Embora a letra seja simples, há uma crítica e alguns detalhes que passam despercebidos pelos ouvintes. Em primeiro lugar, vamos à letra traduzida:

 "Eu quero sair"

Desde o início de nossas vidas,
Nós somos empurrados em pequenas formas.
Ninguém nos pergunta como gostaríamos de ser.
Na escola, eles ensinam o que pensar,
Mas todos dizem coisas diferentes,
Mas eles estão convictos de que 
São os únicos corretos.

Então, eles continuam a falar e nunca param,
E, em um certo ponto, você desiste
E a única coisa que resta a pensar é isso:

Eu quero sair — para viver minha vida sozinho
Eu quero sair — deixe me ser
Eu quero sair — para fazer as coisas do meu jeito
Eu quero sair — para viver minha vida e ser livre.

As pessoas me dizem A e B,
Elas me dizem como eu devo ver
As coisas que já me parecem claras.
Então, elas me empurram de um lado ao outro,
Eles me empurram do preto ao branco,
Eles me empurram até que não haja nada mais para ouvir.

Mas não me empurrem demais,
Calem-se e saiam daqui,
Porque eu decido como as coisas vão ser.

Eu quero sair — para viver minha vida sozinho
Eu quero sair — deixe me ser
Eu quero sair — para fazer as coisas do meu jeito
Eu quero sair —- para viver minha vida e ser livre.

Há um milhão de maneiras de ver as coisas na vida,
Um milhão de maneiras de ser um idiota.
No final, nenhum de nós está certo.
Às vezes, nós precisamos ficar sozinhos.


Não, não, não ... Me deixe sozinho.

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A letra é muito simples e o clipe a segue fielmente, mas há algumas questões que devem ser refletidas ao invés de somente assistidas.

No início do videoclipe, o vocalista Michael Kiske aparece sentado e abre a boca, então, a câmera adentra-a e a música começa a ser cantada. Isso mostra que todos os pensamentos da música são conflitos internos do personagem.

Como já citado, o clipe acompanha a letra rigorosamente. Assim, vê-se os integrantes da banda empurrando o Kiske para uma caixa. Na vida, existem as doutrinas religiosas, a política, as leis, as morais, as tradições etc. Todas elas são formas que empurram as pessoas desde que elas nascem; para se livrarem, precisam refletir, pensar além e, o mais difícil, agir.

O refrão é um grito que todos, em algum momento da vida, já sentiram ou deram. Quem nunca teve vontade de se livrar de algo, de ficar sozinho, de fazer as coisas por conta própria, à sua maneira? 

Percebe-se que, em muitas passagens, a banda está em um deserto (ou algo parecido), e isso acontece porque o deserto tem o significado de solidão. Para o eu-lírico se questionar assim, ele se sente sozinho. Em certas partes da música, chega até a pedir a solidão.

Por outro lado, sempre que a câmera volta ao "mundo real", o vocalista não fala nada — algumas vezes, soluça. Quantas vezes as pessoas se sentem incomodadas com algo, reclamam "por dentro", mas, por fora, aparentam estar bem? É o mesmo caso. O soluço seria a vontade de gritar para o mundo o que se sente e o que se pensa, porém essa vontade e voz não saem.

De resto, o clipe segue a letra, os membros jogando o vocalista de um lado ao outro, nunca o deixando sozinho, até que, na última estrofe, ele diz o que pensa. No último verso, seguido de vários "nãos" (que demonstram o conflito interior, pois se ele estava sozinho, não havia com quem conversar e discordar), pede-se a solidão.

Voltando à cena para o mundo real, o vocalista faz um gesto de zombaria para quem está olhando/assistindo, como se dissesse: "O que foi? Assustador? Não imaginava que esta é a minha vontade?". No clipe, ainda aparece uma frase, no último segundo: "And so?", que seria algo como "E então?" ou “E depois?”, questionando se o eu-lírico, ou quem assiste e sente o mesmo, continuará só na vontade de sair e se livrar, ou se realmente o fará.

O vídeo foi interpretado como um indivíduo com problemas, mas é possível pensar na questão social também: o ano era 1988 e a banda é alemã, nesta época, ainda existia o Muro de Berlim, que separava a Alemanha em duas: "oriental e ocidental; metade comunista, metade capitalista". Talvez, poderia ser a ideia da banda sobre a vontade da nação em ser "livre", em ser única, em deixar de ser vigiada e imposta por ideais de outros países.

Por fim, há quem diga que a letra mostra a vontade do guitarrista, fundador e principal compositor da banda, Kai Hansen, deixar o grupo, o que realmente aconteceu pouco tempo depois, sendo o The Keepers Of The Seven Keys Part II o último álbum com sua participação.

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