domingo, 22 de fevereiro de 2015

Resenha do artigo "Gêneros textuais e (ou) gêneros discursivos : Uma questão de nomenclatura ?"

DIAS, Eliana; MESQUITA, Elisete Maria de Carvalho; FINOTTI, Luísa Helena Borges; ET AL. Gêneros textuais e(ou) gêneros discursivos: Uma questão de nomenclatura? Disponível em: <HTTP://www.eses.pt/interaccoes>. Acesso em: 22 de fevereiro de 2015.

Este artigo tem como base interrogar e explicar o uso e o motivo de alguns teóricos usarem os termos “gênero textual” ou “gênero discursivo”, algo que muitas vezes é usado ou entendido erroneamente, ou como se possuíssem o mesmo significado. Para isso, as autoras buscaram respostas e definições em obras de Bakhtin, Adam, Bronckart, Rojo e outros estudiosos.

Em apenas 12 páginas de conteúdo, é explicitado o início desta “confusão” de termos, desde as interpretações sobre linguagem de Bakhtin até os dias atuais, com outros teóricos. Explica-se aqui o que é gênero textual e discursivo, se há diferenças entre os dois, como são formados, de quê são formados e como devem ser entendidos.

Começam com a perspectiva de Bakhtin sobre o que é linguagem e como ela é formada (enunciação, polifonia, dialogismo e a própria noção de gêneros – p.144). Fica-nos claro que, para Bakhtin, o enunciado, para ser criado, precisa de uma interação entre um ser, um contexto histórico e um diálogo entre pessoas de uma mesma cultura.

Para cada situação, usamos um gênero para expressarmo-nos, e esse gênero é criado a partir de um tema, estilo e estruturação. Por isso, devemos sempre entender o momento histórico em que o texto foi criado, porque o texto sempre será o mesmo, o que mudará serão as interpretações sobre ele.

Vale ressaltar a complexidade do estilo, que é dito que quase sempre será individual, mas que, muitas vezes, dependendo do gênero escolhido para transmitir nossas ideias, devemos usar o estilo próprio do gênero.

As autoras se utilizam de Bronckart para explicarem que o texto é que forma o gênero, sendo que o texto é formado por concepções da Linguística Textual e da Gramática Tradicional (p.147), isto é, estruturação, mecanismos de textualização (coerência e coesão) e mecanismos enunciativos. Podemos dizer que esses elementos formam os gêneros textuais.

Por outro lado, os gêneros discursivos se utilizam dos gêneros textuais para “criarem vida”, ou seja, dentro de um texto há sempre as ideias de quem o fez. Um texto é formado, primeiramente, pelo discurso e pelos ideais do locutor, partindo de um tema, estrutura e estilo, cria-se o gênero, que, enfim, alcança o interlocutor.

Tendo-nos a competência discursiva, utilizamos dos inúmeros gêneros textuais para repassarmos nossas intenções da forma que queremos (ou podemos). Assim como os gêneros textuais dependem de cada contexto histórico, os gêneros discursivos dependem de um conhecimento antecipado de como se pronunciar, para quem, sobre o quê, entre outros fatores de quem os usará. Os discursos são usados a todos os momentos de nossa vida, em todas as situações proferimo-los.

Eliana Dias; Elisete Maria de Carvalho Mesquita; Luisa Helena Borges Finotti; ET AL.

Antônio Carlos da Silva Siqueira Júnior, aluno do curso de Letras, em IESA, Santo André - SP.

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