Ontem, 10/06/2017, no Manifesto Bar, houve um
show de celebração ao Dia dos namorados, liderado por Edu Falaschi (Almah, ex
Angra e Symbols), seguido por “sua” All
Star Band, composta pelos músicos Ricardo Confessori (ex Shaman e Angra) na
bateria, Luis Mariutti (About 2 Crash, Motorguts, ex Andre Matos, Shaman e
Angra) no baixo, Junior Carelli (Noturnall, ANIE e ex Shaman) nos teclados e
Demian Tiguez (ex Symbols) na guitarra. O concerto ainda contou com a presença
do baixista Raphael Dafras, da banda Almah.
Embora o supergrupo seja formado por lendas
do Metal Nacional, a proposta do show foi de apenas tocar baladas, tanto as do
Angra quanto as do Almah. Uma ideia diferente e interessante, que até agora não
havia acontecido, mas que já era querida por muitos fãs, principalmente pelos
românticos.
Todos os músicos foram e são competentíssimos:
Edu Falaschi, que recentemente lançou o álbum E.V.O. (com a sua banda Almah), mostrou que realmente voltou a
cantar notas agudas como nos tempos de Angra. Júnior Carelli, sempre simpático,
não só toca as músicas da forma como foram gravadas originalmente, mas também
improvisa algumas introduções diferenciadas, o que enriquece a apresentação.
Luís Mariutti, como é de seu costume, faz o seu trabalho responsável e seriamente,
na dele. Ricardo Confessori não toca da mesma forma que o seu sucessor no
Angra, Aquiles Priester (Hangar, Noturnall e ex Angra), mas faz mais do que o
necessário, pois impõe o seu estilo na música. Raphael Dafras já é conhecido do
público, parceiro do Edu no Almah, não precisa de comentários. E, por fim,
Demian Tiguez, o antigo guitarrista do Symbols, banda dos irmãos Falaschi,
ainda nos anos 90. Embora seja o mais desconhecido, o rapaz executa as canções
eximiamente. Foi, com certeza, um dos destaques da noite.
O show começou com três músicas do Angra: Heroes of Sand, Wishing Well e Lease of Life,
respectivamente dos álbuns Rebirth
(2001), Temple of Shadows (2004) e Aqua (2010). Três músicas da fase em que
Edu Falaschi passou pela banda. Essa última também faz parte da época que o
baterista, Ricardo Confessori, ainda era um membro do Angra.
Em seguida, tocaram Breathe, canção do primeiro e homônimo álbum do Almah, lançado em
2006. Logo após, um momento muito bonito de reconhecimento do vocalista pelos parceiros
Luís Mariutti e Ricardo Confessori, é tocada Lisbon, canção que não é da época
do Edu, mas é do baterista e baixista, junto do primeiro vocalista do Angra,
Andre Matos.
Depois, foi a vez de Warm Wind, música sempre presente nos concertos do Almah, uma
balada feita pelo Edu em homenagem à sua filha. Posteriormente, duas surpresas:
Breaking Ties e Dream On. A primeira faz parte do repertório do álbum Aurora Consurgens (2006), um dos mais
injustiçados pelos fãs do Angra, e a segunda é um clássico do Rock Internacional, de 1973, da lendária
banda Aerosmith. Porém, a versão tocada pela All Star Band foi a do grande Dio em parceria com o Malmsteen,
pilares e mestres do Metal. Edu cantou Dream
On de forma muito dramática, com alguns ecos, ficou muito bonita.
As próximas baladas foram Forgotten Land, Bleeding Heart, Visions
Prelude e Nova Era. Exceto a
primeira, que é do Almah, todas as outras são do Angra. Bleeding Heart compõe o Hunters
and Prey (2002) e as duas últimas fazem parte do Rebirth, álbum de estréia de Edu na deusa do fogo. Detalhes: Visions
Prelude nunca havia sido tocada ao vivo e Nova Era foi executada acusticamente, teclado e voz, que é a versão
do Moonlight (2016), trabalho solo do
vocalista, posto que a música é uma pauleira.
Por fim, três músicas do Angra: Rebirth (do álbum homônimo e de estréia
do Edu), Late Redemption (do
excelente Temple of Shadows) e a
inesperada Carry On (do primeiro
trabalho da banda, o Angels Cry, de
1993) fecharam majestosamente a noite. A
penúltima música foi uma das que mais emocionaram o público, que cantou em
coro, tanto as partes em português, originalmente gravadas pelo grande Milton
Nascimento, quanto os trechos em inglês, pelo Edu Falaschi, que são a maior
parte.
A última canção requer dois parágrafos
somente para ela, pois foi um dos momentos mais bonitos do show. Carry On, como se sabe, não é da época
do Edu, mas do primeiro vocalista do Angra, segundo o próprio Edu
Falaschi, ontem: “o grande Andre Matos”.
Além dele, na época, faziam parte da banda o baixista Luís Mariutti, o
baterista Ricardo Confessori (embora este não tenha gravado o primeiro álbum, pois
entrou somente depois do lançamento), ambos presentes no concerto de ontem, e
os guitarristas Rafael Bittencourt (Angra e Bittencourt Project) e Kiko Loureiro
(Megadeth e ex Angra).
Segundo Edu, embora a ideia do show seja
tocar somente baladas, ele se vê na obrigação de tocar essa música que mudou a
vida de muitos fãs, de muitos músicos e de todo o cenário do Heavy Metal nacional e internacional, no
formato original: rápida, pesada, metal, pois é um dos hinos do Power Metal, gênero que o Angra ajudou a
criar. Além disso, tocá-la é uma maneira de prestigiar o baixista Mariutti e o
baterista Confessori, que são pessoas importantes desta história criada ainda
nos anos 90, quando ele, Falaschi, estava com sua primeira banda, o Mitrium, e
nem imaginava que um dia entraria para o Angra. Para isso, convidou uma menina
da plateia, uma moça que grava vídeos e posta no Youtube, cantando músicas do Angra e do Almah, para fazer um dueto,
ajudando-o nas notas mais altas. (Agora, é ela quem não imaginava que um dia
estaria cantando junto com ele...)
Com isso, fecha-se a noite com chave de ouro.
Se há algumas críticas positivas a se fazer, essas são: se o projeto continuar, aumente
o tamanho do setlist, quinze músicas
é pouco. Não foi tocada nenhuma música dos álbuns Fragile Equality (2008) e Motion
(2011), do Almah; não foi executada nenhuma balada do Symbols, banda underground
muito querida pelos fãs; houve apenas uma música do Aurora Consurgens e do Aqua,
trabalhos subestimados do Angra. A outra dica é: Edu, decore ou releia as letras. Foram bem poucos deslizes, mas perceptíveis.
Finalmente, tomara que surjam mais oportunidades
de shows do projeto, que ele continue e que volte à grande São Paulo novamente,
em breve.
Setlist:
Heroes of Sand - Angra
Wishing Well - Angra
Lease of Life - Angra
Breathe - Almah
Lisbon - Angra
Warm
Wind
– Almah (participação de Raphael Dafras)
Breaking
Ties
– Angra (participação de Raphael Dafras)
Dream On - Aerosmith
Forgotten Land - Almah
Bleeding Heart - Angra
Visions Prelude - Angra
Nova
Era
acústica - Angra
Rebirth -
Angra
Late
Redemption - Angra

